O medo bloqueou minha estrada,
limitou meu espaço, acorrentou minha alma,
travou meu passo.
O medo cercou minha trilha,
enforcou-me num laço,
calou minhas palavras, me tornou seu escravo.
O medo matou dentro de mim
uma semente chamada liberdade
aquela que brota com o vento
e semeia a felicidade.
O medo confinou meu ser
nas entranhas do destino,
num emaranhado como de um arame farpado,
arruinado e desprovido.
O medo me condenou, me batizou
com minhas lágrimas, selou minha boca,
ccagou minha verdade, esfacelou meu sonho
e amordaçou minha vaidade.
O medo amputou minha força,
esquertejou minha coragem,
esfaqueou meu peito...
Tornou-me um covarde.
O medo escureceu meu brilho,
apagou minhas estrelas,
secou meu riacho,
murchou minha flor...
Tornou-me seu capacho.
O medo quebrou o cristal polido,
estilhaçou em mil pedaços minha face de vidro,
não sou mais eu.
Agora sou apenas...
Cacos Perdidos.
((Leni Martins))